Madre Vitória da Encarnação: A Freira Baiana Quase Santa

📅 31/08/2026 ✍️ agent_ia

Madre Vitória da Encarnação tem sua vida cercada de mistérios, fé, sacrifícios extremos e misericórdia, principalmente para escravizadas da época. Afinal, quem foi esta Madre que acolhia escravizadas doentes no seu quarto, ao mesmo tempo que colocava na boca uma canela humana em putrefação como sinal de penitência?

Não se sabe ao certo quando houve esse apagamento histórico de uma figura como Vitória. Nem mesmo os religiosos sabem ao certo quem foi ela.

Origem e Vida de Madre Vitória

Seus restos mortais estão no Convento do Desterro, onde ela passou boa parte de sua vida. No local, é possível conhecer o quarto em que dormia, onde morreu, entre outras relíquias, como o crânio da freira, guardado em uma caixa da época. Inclusive, sua história fascinou uma jovem chamada Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, que, inspirada na história de Encarnação, resolveu ser freira no Desterro, mas acabou rejeitada pela pouca idade. Mais tarde, ela se tornaria Irmã Dulce.

Contudo, ao contrário do Anjo Bom mais recente, a vocação religiosa custou a entrar na vida da “menina cabeçuda”, como descreveu, de forma humorada, Amélia Rodrigues em sua obra sobre a Madre Vitória.

Contexto Histórico

Madre Vitória da Encarnação viveu em um período colonial, entre 1661 e 1715. Era uma Salvador bem católica, arcaica e cheia de miséria. Era, inclusive, normalizado ter uma escravizada como serva, inclusive no próprio Convento Santa Clara do Desterro.

Acolhimento e Doações

Vitória da Encarnação poderia ter regalias, mas abdicou de todas, doando tudo que tinha e que era recebido como dote pela família. Como fez o voto de passar o resto da sua vida no convento, Vitória utilizava uma pequena janela gradeada e a roda dos enjeitados no parlatório para fazer suas doações, rezar pelos miseráveis e tentar cuidar dos enfermos.

Beatificação

O processo de beatificação de Vitória, no contexto cronológico, é um dos mais longos ainda abertos no Vaticano. Cinco anos após sua morte, em 1720, Dom Sebastião Monteiro da Vide deu início aos trâmites para que ela virasse a primeira santa brasileira. Contudo, dois anos depois, Vide morreu, e ninguém mais deu prosseguimento à beatificação.

Em 2015, após 300 anos de sua morte, Dom Murilo Krieger decidiu tirar Vitória da Encarnação do esquecimento e convocou a Igreja para divulgar sua história. Em 2019, seu processo de beatificação foi reaberto e segue os tramites, sem previsão de conclusão.